Ciência e Saúde

OMS diz que 50% da população terá problemas na visão em 2050 pelo uso excessivo de telas

Especialistas fizeram um alerta sobre o uso excessivo do celular ou do computador. Segundo o G1, estudos indicaram que os problemas de visão na população vem aumentando em decorrência dessa prática.

Os médicos ainda atribuíram o salto nos casos de miopia, por exemplo, ao aumento no número de horas que as pessoas passam diante das telas. A previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que em 2020 cerca de 35% da população mundial esteja sofrendo com o problema e, em 2050, o número possa alcançar 52%. No sudeste da Ásia, estima-se que 90% dos jovens sejam míopes.

A alteração refracional que prejudica a visão de longe era vista até pouco tempo como um problema de causa exclusivamente hereditária - ou seja, não havia muito o que fazer para combatê-lo. Mas hoje a comunidade científica já pode afirmar que nosso estilo de vida também contribui (e muito) para espalhar esse mal.

Proliferação de espécie invasora de mexilhão afeta hidrelétricas

A proliferação do mexilhão-dourado tornou o molusco uma praga nos rios e nos reservatórios de água doce da região Sul do Brasil. Seu principal impacto é econômico: a espécie se fixa em superfícies submersas e forma incrustações que trazem prejuízo financeiro em usinas hidrelétricas. Suas colônias podem atingir densidades de mais de 100 mil indivíduos por metro quadrado.

O molusco já está presente em pelo menos 50 hidrelétricas brasileiras, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Uma usina de pequeno porte afetada tem prejuízo diário de cerca de R$ 40 mil a cada dia de paralisação. A Usina de Itaipu, que está na lista de atingidas, aumentou o volume de manutenção das turbinas após a chegada da espécie invasora, gerando custos diários extras de cerca de US$ 1 milhão por dia de limpeza.

 

Amazonas, Tocantins e Araguaia

 

O mexilhão-dourado é uma das três espécies exóticas invasoras que são alvo de planos de controle do Ibama. Em dezembro de 2018 o órgão publicou o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Mexilhão-dourado no Brasil.

O documento tem dois objetivos principais. O primeiro é prevenir a dispersão do molusco em áreas não-invadidas e controlar a população das áreas invadidas durante os próximos cinco anos. No período de 25 anos, a meta é a manutenção de bacias hidrográficas não-invadidas, com prioridade para as regiões hidrográficas Amazônica e Tocantins-Araguaia.

Para isso, o Ibama promete no plano estimular a pesquisa científica sobre o tema e difundir informações importantes para o controle e prevenção da espécie.

Nesta semana, o Desafio Natureza do G1 publica uma série de reportagens sobre impactos ambientais, sociais e econômicos que as espécies invasoras causam a partir da história do javali, do sagui-de-tufos-pretos, do mexilhão-dourado e do pinheiro.

 

 
Mexilhão-dourado forma incrustações sobre si mesmo — Foto: Celso Tavares/G1

Mexilhão-dourado forma incrustações sobre si mesmo — Foto: Celso Tavares/G1

 

“Ele vai se incrustando sobre si mesmo e vai formando massas cada vez maiores de modo que mesmo tubulações muito grandes podem ser completamente fechadas pela presença dele”, explica Alex Nuñer, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que coordena pesquisas sobre a espécie.

 

Além disso, a espécie pode causar problemas em estações de tratamento de esgoto e de água. “Já existem estações de tratamento de água que foram contaminadas pelo mexilhão no Paraná e Rio Grande do Sul e, por enquanto, não há nenhum produto liberado para combater a espécie nesse tipo de ambiente”, explica Otto Mäder, engenheiro mestre em engenharia de materiais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“Esse vai ser o próximo desafio da invasão de mexilhão-dourado no Brasil.”

O prejuízo trazido pela espécie asiática também é ambiental. Por ser um animal filtrador, ele se alimenta de várias espécies nativas dos rios brasileiros. De acordo com o Ibama, sua presença já foi registrada em ao menos 27 unidades de conservação, incluindo parques estaduais e estações ecológicas.

Como a invasão é recente – começou nos anos 1990 e ganhou força a partir de 2001 – os resultados do desequilíbrio ambiental ainda estão sendo estudados. No entanto, já se sabe que sua presença afeta o ciclo de nutrientes no ambiente aquático e promove mudanças na fauna de peixes.

 
 — Foto: Roberta Jaworski/G1
— Foto: Roberta Jaworski/G1

 

Qual é o problema do mexilhão-dourado?

 

Além do entupimento de tubulações, que provoca aumento nas paradas para limpeza e manutenção de hidrelétricas, o mexilhão-dourado também reduz a eficiência de sistemas de resfriamento presentes em barcos e balsas. Tudo isso gera um grande aumento de gastos que está preocupando pesquisadores e empresários.

Em Anita Garibaldi, cidade catarinense às margens do rio Canoas, um exemplo do impacto do mexilhão-dourado ocorre no serviço de balsa de Santa Ana.

“[O mexilhão-dourado] bagunça, gruda nos encanamentos, por baixo do rebocador, do lado”, conta Antônio Jerônimo da Silva, condutor da balsa. “Tem que estar sempre limpando os encanamentos e [o casco] embaixo da balsa.”

O principal dano que a espécie causa ali são as incrustações que envolvem as tubulações de resfriamento do motor. Para evitar que o motor acabe danificado pelo calor excessivo, a equipe do balseiro aumentou a frequência da limpeza.

 
Balsa de Santa Ana, em Anita Garibaldi/SC, é afetada pelo mexilhão-dourado — Foto: Celso Tavares/G1

Balsa de Santa Ana, em Anita Garibaldi/SC, é afetada pelo mexilhão-dourado — Foto: Celso Tavares/G1

Perto dali, no reservatório da Usina Hidrelétrica de Campos Novos, também no rio Canoas, pesquisadores da UFSC estão estudando a proliferação do mexilhão-dourado na região.

Junto com Campos Novos, outras três hidrelétricas catarinenses – Machadinho, Itá e Foz do Chapecó – se uniram para financiar pesquisas acadêmicas sobre a espécie invasora. No momento, os biólogos analisam os efeitos colaterais do molusco na bacia do rio Uruguai e avaliam possíveis mecanismos de controle biológico.

 
Hidrelétrica de Campos Novos é alvo de pesquisa da UFSC sobre mexilhão-dourado — Foto: Celso Tavares/G1

Hidrelétrica de Campos Novos é alvo de pesquisa da UFSC sobre mexilhão-dourado — Foto: Celso Tavares/G1

“Por enquanto o objetivo é medir a presença do mexilhão nesses cinco reservatórios”, explica Alex Nuñer, coordenador da pesquisa. Para isso foram instaladas boias coletoras que captam a água dos reservatórios das hidrelétricas em diferentes profundidades. No futuro, a ideia é tentar encontrar predadores naturais para que a população da espécie invasora possa ser controlada.

Enquanto isso não acontece, as hidrelétricas empregam produtos químicos para diminuir os efeitos negativos do mexilhão-dourado. “Hoje, apenas dois produtos são liberados pelo Ibama para o controle dessa espécie”, explica Otto Mäder, engenheiro e representante da MaxClean. A empresa fabrica um dos produtos liberados, feito à base de taninos. Ele forma uma película anti incrustante nas tubulações que impede que o molusco se fixe.

O outro produto liberado para uso pelo Ibama é feito à base de cloro e age diminuindo a densidade de larvas e mexilhões adultos na água. Sua desvantagem: o cloro também aumenta a corrosão de materiais metálicos.

 
O rio Canoas, em Anita Garibaldi, é um dos locais acometidos pelo mexilhão-dourado em Santa Catarina — Foto: Celso Tavares/G1

O rio Canoas, em Anita Garibaldi, é um dos locais acometidos pelo mexilhão-dourado em Santa Catarina — Foto: Celso Tavares/G1

Além do prejuízo às hidrelétricas, os pesquisadores da UFSC já verificaram também impactos do mexilhão-dourado no meio ambiente.

“Do ponto de vista ambiental, por ele ocorrer em colônias muito, muito grandes, boa parte daquela água onde ele se encontra acaba sendo filtrada”, explica Nuñer.

Nessa filtragem são consumidos microrganismos que poderiam servir de alimento para peixes e outras espécies nativas. Desse modo, a fauna de peixes é afetada: pode ocorrer, por exemplo, o aumento de densidade de algumas espécies e a diminuição de outras.

No Lago Guaíba, no Rio Grande do Sul, a presença da espécie invasora reduziu a área de cobertura dos juncais, formação vegetal típica da região. Como os juncais são habitat de diversos peixes, a redução dessa vegetação acarretou a diminuição de recursos pesqueiros.

Como o molusco é filtrador, metais pesados como mercúrio, cádmio e chumbo podem acabar se acumulando em seu interior. “Existe então o risco de bioacumulação de substâncias tóxicas em peixes quando os animais se alimentam desse mexilhão”, diz Nuñer.

O molusco também altera a qualidade da água onde está presente. Ele diminui a concentração de matéria orgânica e eleva os teores de amônia, nitrato e fosfato. A água torna-se mais transparente e clara, por conta da filtragem.

 
O mexilhão-dourado se fixa em substratos como pedaços de madeira — Foto: Celso Tavares/G1

O mexilhão-dourado se fixa em substratos como pedaços de madeira — Foto: Celso Tavares/G1

 

Como ocorreu a invasão?

 

Originário do Sudeste Asiático e da China, o mexilhão-dourado foi trazido para a América do Sul por meio da água de lastro de navios no início da década de 1990. A água de lastro serve para garantir estabilidade na navegação. Coletada no ponto de partida da viagem, ela é lentamente despejada por onde o navio passa. Barcos vindos da Ásia levaram a água contaminada por larvas do mexilhão para a Argentina, onde ele se proliferou rapidamente pela Bacia do Prata.

Os primeiros registros do animal no Brasil ocorreram em 1998 no Rio Grande do Sul. No começo dos anos 2000 já havia relatos de sua presença no Paraná e Mato Grosso do Sul. No Brasil, a proliferação da espécie ocorre em uma velocidade de cerca de 240 quilômetros percorridos a cada ano.

A última região contaminada pelo mexilhão no Brasil é a bacia do rio São Francisco. A chegada do animal no Nordeste preocupa pesquisadores porque há indícios de que a ela se reproduza ainda mais rápido em locais de clima e água quentes.

 
 — Foto: Igor Estrella/G1

— Foto: Igor Estrella/G1

Apesar de extramente resistente, o mexilhão por si só não é capaz de se espalhar contra a correnteza. Por isso, sua dispersão no Brasil está necessariamente associada a ação humana e ocorre principalmente por meio de quatro vetores: pesca, transporte de areia, transporte fluvial e água de lastro.

 

Como evitar o mexilhão-dourado?

 

A divulgação de informações sobre a proliferação do mexilhão-dourado é essencial para evitar novas introduções da espécie, segundo Alex Nuñer.

“O aumento do comércio internacional certamente fez com que esses organismos que antes estavam restritos a alguns lugares se espalhassem mais fácil, especialmente os aquáticos”, explica o professor. "Como a dispersão dessas espécies está muito ligada a ação do homem, agora é preciso ter mais atenção aos nossos atos.”

Algumas medidas essenciais para evitar a proliferação do mexilhão-dourado são:

 

  • Não descartar água de locais contaminados na natureza
  • Antes de usar a areia trazida de regiões onde o mexilhão ocorre, deixá-la secar ao sol por pelo menos 15 dias
  • Lavar muito bem o exterior de barcos que circulam em áreas com presença de mexilhão antes de transportá-los
  • Higienizar equipamentos de pesca com água sanitária depois do uso
  • Nunca descartar as vísceras de peixes na pia

 

Para popularizar essas orientações, o instituto de pesquisa Lactec promoveu uma ação em 58 escolas da região Sul do Brasil com gibis sobre o mexilhão-dourado. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Engie Brasil, que administra 11 usinas hidrelétricas.

 
Gibi distribuído em escolas do Sul ensina a reconhecer mexilhão-dourado — Foto: Reprodução/Lactec

Gibi distribuído em escolas do Sul ensina a reconhecer mexilhão-dourado — Foto: Reprodução/Lactec

“Junto com o gibi, as escolas receberam exemplares das conchas do mexilhão dourado para que as crianças pudessem conhecer a espécie”, explica Patricia Dammski, pesquisadora do laboratório de biologia da Lactec. Foram produzidos aproximadamente 6 mil exemplares, distribuídos prioritariamente nas escolas que ficam no entorno das usinas hidrelétricas.

Mais de 20 milhões de crianças por ano deixam de tomar vacina contra sarampo, diz Unicef

Aumenta o número de pessoas que não recebem a vacina contra sarampo no mundo, o que vem criando novos surtos da doença. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou nesta quarta-feira (24) que, a cada ano, cerca de 21,1 milhões de crianças em todo o mundo não recebem a vacina contra sarampo. Esse número é uma média dos anos 2010 a 2017.

O Unicef atribui o problema à falta de acesso à vacina, a sistemas de saúde precários e, em alguns casos, ao medo ou ceticismo em relação à imunização. O vírus possui alta capacidade de propagação e a transmissão acontece de uma pessoa para outra, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou mesmo respirar.

Imunização em risco

"O terreno para os surtos globais de sarampo que estamos testemunhando hoje foi estabelecido anos atrás", disse a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore. Segundo a instituição, quando um número expressivo de crianças não é vacinado, criam-se "bolsões" de pessoas não imunizadas, facilitando a locomoção do vírus de um lugar para o outro.

Nos primeiros três meses de 2019 foram registrados mais de 110 mil casos de sarampo em todo o mundo. Trata-se de um aumento de quase 300% em relação ao mesmo período do ano passado. Estima-se que 110 mil pessoas tenham morrido de sarampo em 2017, um aumento de 22% em relação a 2016. A maioria dessas mortes é de crianças.

"O vírus do sarampo sempre encontrará crianças não vacinadas. Se levamos a sério a prevenção da disseminação dessa doença perigosa, mas evitável, precisamos vacinar todas as crianças, tanto em países ricos quanto em países pobres", acrescentou a diretora.

Embora a cobertura global da primeira dose da vacina contra o sarampo tenha sido de 85% em 2017, a cobertura global para a segunda dose é muito menor, de 67%. Ou seja, muitos pacientes chegam a tomar a primeira dose, mas não voltam para receber a segunda, o que é essencial no caso do sarampo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um limite de 95% de cobertura de imunização para alcançar a imunidade coletiva ou o chamado "efeito rebanho".

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Imunização em risco

"O terreno para os surtos globais de sarampo que estamos testemunhando hoje foi estabelecido anos atrás", disse a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore. Segundo a instituição, quando um número expressivo de crianças não é vacinado, criam-se "bolsões" de pessoas não imunizadas, facilitando a locomoção do vírus de um lugar para o outro.

Nos primeiros três meses de 2019 foram registrados mais de 110 mil casos de sarampo em todo o mundo. Trata-se de um aumento de quase 300% em relação ao mesmo período do ano passado. Estima-se que 110 mil pessoas tenham morrido de sarampo em 2017, um aumento de 22% em relação a 2016. A maioria dessas mortes é de crianças.

"O vírus do sarampo sempre encontrará crianças não vacinadas. Se levamos a sério a prevenção da disseminação dessa doença perigosa, mas evitável, precisamos vacinar todas as crianças, tanto em países ricos quanto em países pobres", acrescentou a diretora.

Embora a cobertura global da primeira dose da vacina contra o sarampo tenha sido de 85% em 2017, a cobertura global para a segunda dose é muito menor, de 67%. Ou seja, muitos pacientes chegam a tomar a primeira dose, mas não voltam para receber a segunda, o que é essencial no caso do sarampo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um limite de 95% de cobertura de imunização para alcançar a imunidade coletiva ou o chamado "efeito rebanho".

Ponto de vista: por que é importante saber que Jesus não era branco

Os historiadores estão de acordo que Jesus era um judeu do Oriente Médio, com pele escura. No entanto, ele é sempre representado como um branco. A acadêmica Robyn J. Whitaker faz uma reflexão sobre esse assunto.

Fui criada em um lar cristão. Em uma parede do meu quarto pendia um retrato de Jesus, que até hoje está lá. Pode parecer brega - como só algo dos anos 1970 pode ser -, mas, quando eu era pequena, eu adorava aquele quadro.

Na foto, Jesus se mostrava terno e gentil; vejo amor em seus olhos. Ele tem cabelos claros, olhos azuis e pele muito branca.

O problema é que Jesus não era branco. Porém, é normal que seja essa a crença exposta se visitarmos alguma igreja ou galeria de arte.

Como não há uma descrição física de Cristo na Bíblia, tampouco há espaço para dúvidas: o Jesus histórico, o homem que foi executado pelo Império Romano no século 1, era um judeu de pele escura, proveniente do Oriente Médio.

Essa afirmação não é de todo controversa do ponto de vista acadêmico.

No entanto, é um detalhe que os milhões de cristãos que estão comemorando a Semana Santa parecem não notar.

Na Sexta-Feira Santa, os devotos peregrinam até as igrejas para saudar Jesus e recordar sua crucificação.

Na maioria dos templos, Jesus Cristo é representado como um homem branco - seus traços são similares aos de um anglo-australiano (ou europeu).

Pense por um momento no belo ator Jim Caviezel, ator que interpretou Jesus no filme Paixão de Cristão, dirigido por Mel Gibson. Ele é um americano de ascendência irlandesa.

Lembre-se também de alguns quadros famosos com a crucificação de Jesus como tema central. Rubens, Grünewald, Giotto… em todos, os autores seguem a tendência europeia de representar Jesus Cristo como um homem branco.

Mas quão importante isso é? Bom, muito, já que, como sociedade, somos plenamente conscientes do poder da representação e da importância da diversidade de modelos de comportamento.

 

Referência

 Lupita Nyong'o alcançou a fama depois de ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2013. Desde então, a intérprete queniana confessou em várias entrevistas que, quando era jovem, tinha um sentimento de inferioridade porque todas referências de beleza que ela via eram de mulheres brancas.

Foi só quando a modelo sudanesa Alek Wek entrou no circuito da moda que Nyong'o percebeu que poderia ser tão bonita quanto ela.

Se somos capazes de reconhecer a importância da diversidade étnica e física em modelos de comportamento nos meios de comunicação, o que nos impede de fazer o mesmo com a fé? Por que seguimos permitindo que a imagem de Jesus branco seja aquela que predomina?

Numerosas igrejas e culturas representam Cristo como um homem de pele escura ou diretamente negro.

Os cristãos ortodoxos têm uma iconografia que difere substancialmente da exigida pela arte europeia. De fato, se você visitar uma igreja na África, é bem provável que encontre com um Jesus negro.

No entanto, imagens como essa não são vistas em igrejas protestantes ou católicas na Europa ou na Austrália, meu país.

Essa diferença é uma perda importante, e permite que a comunidade cristã predominante separe sua devoção por Jesus da atenção compassiva que concede àqueles que consideram diferentes.

 

Desconexão cognitiva

 Atrevo-me a dizer, inclusive, que a representação tradicional de Cristo produz uma desconexão cognitiva em que um indivíduo pode sentir um grande afeto por Jesus e, ao mesmo tempo, demonstrar pouca empatia por uma pessoa do Oriente Médio.

Da mesma forma, a afirmação teológica de que os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus tem consequências: se Deus é sempre representado como um homem branco, por padrão os homens serão brancos, uma ideia subjacente a um racismo latente.

Historicamente, o branqueamento de Jesus contribuiu para que cristãos perpetrassem um dos mais terríveis atos antissemitas já documentados. Atualmente, ele continua a se manifestar em países como a Austrália, onde é comum rotular australianos não-anglo-saxões como "os outros".

 

Deus negro

 Nessa Semana Santa, não posso deixar de me perguntar como seriam nossa igreja e nossa sociedade se aceitássemos que Jesus era negro; o que aconteceria se enfrentássemos a realidade, que não é outra senão a de um corpo negro pregado na cruz, abatido, torturado e executado publicamente por um regime opressor.

Talvez nossa atitude mudasse se compreendêssemos que a injusta prisão, abuso e execução às quais o Jesus histórico foi submetido têm mais a ver com as experiências dos indígenas ou dos refugiados do que com aqueles que detêm o poder da igreja e que se apropriaram da imagem de Cristo.

Pode parecer radical, mas não paro de pensar sobre o que poderia mudar se fôssemos conscientes de que a pessoa chamada de Deus pelos cristãos não era branca, mas que o salvador do mundo foi um judeu do Oriente Médio.

*Robyn J. Whitaker é professora de Novo Testamento no Pilgrim Theological College da Universidade de Divinity, na Austrália.

Vacina contra meningite: entenda os tipos e quem deve tomar

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Essa inflamação pode ser causada por micro-organismos (vírus e bactérias), alergias a medicamentos e outros agentes.

As meningites bacterianas e virais são as mais comuns e que demandam maior atenção da saúde pública. A doença é endêmica no Brasil e casos são reportados ao longo de todo ano com surtos ocasionais, mas a forma bacteriana preocupa por sua gravidade.

 

Segundo informações do Ministério da Saúde, a meningite pode atingir todas as faixas etárias, mas o maior risco é para crianças menores de cinco anos, em especial as menores de um.

O Sistema Único de Saúde oferece quatro tipos de vacina contra as principais causas de meningite bacteriana. No Brasil, a prevalência é das infecções do tipo C e por isso o SUS não oferece vacina para o tipo B.

Segundo dados do Ministério da Saúde, dos mais de 16 mil casos da doença registrados em 2017, apenas 145 foram de meningite tipo B.

Atualmente, o ministério estuda a aquisição da vacina meningocócica conjugada ACWY, disponível apenas pelo sistema privado de saúde.

 

Cobertura vacinal

 

Segundo o Ministério da Saúde, dados preliminares da cobertura vacinal de meningite de 2018 mostram que o Brasil ainda está abaixo da meta. Em 2017, a cobertura ficou em 86%. Em 2018, os dados preliminares mostram que a cobertura ficou em 79%.

Em 2018, foram registrados 17.219 casos de meningite no Brasil. Em 2017, foram 16.992 e em 2016 15.629. São Paulo é o estado com o maior número de casos registrados nos últimos anos.

 

Veja abaixa perguntas e respostas sobre as vacinas

 

 

Qual o tipo mais comum no Brasil?

 

A meningite mais comum no Brasil é meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis (ou meningococo). Existem 12 subtipos diferentes da meningocócica e, no Brasil, os principais sorogrupos circulantes (que causam a maioria dos casos) são B, C, W e Y. Com maior prevalência do tipo C.

 

Quais vacinas o SUS oferece?

 

O SUS oferece quatro tipos de vacina para meningites bacterianas. São elas:

 

  • BCG: que protege contra a meningite turberculosa
  • Pentavalente: protege contra as infecções invasivas, entre elas a meningite causada pelo Haemophilus influenzae sorotipo b
  • Meningocócica C: protege contra a doença meningocócica causada pela Neisseria meningitidis sorogrupo C
  • Pneumocócica 10: protege contra as infecções invasivas, entre elas a meningite causada por dez sorotipos do Streptococcus pneumoniae

 

 

Quais vacinas disponíveis na rede privada?

 

A rede privada oferece vacinas para os tipos A, B, C, W e Y. Geralmente, as vacinas são dadas de duas formas: uma vacina conjugada, que como o nome diz, cobre os tipos A, C, W e Y. E uma vacina para o tipo B.

O Ministério da Saúde diz que não há pedido de incorporação da vacina para a meningite B no SUS, mas o ministério já estuda a aquisição da ACWY.

 

Quando tomar a vacina?

 

 

  • BCG (contra a meningite turberculosa): uma dose ao nascer
  • Pentavalente (contra meningite causada pela bactéria Haemophilus influenzae B): doses aos dois, quatro e seis meses de vida
  • Meningocócica C (contra meningite causada pela bactéria Neisseria meningitidis sorogrupo C): doses aos três e cinco meses, reforço com um ano. Adolescentes de 11 a 14 anos devem receber dose única como reforço.
  • Pneumocócica 10 (contra meningite causada por dez sorotipos do Streptococcus pneumoniae): doses aos dois e quatro meses e reforço com um ano.

 

 
Meningite meningocócica — Foto: Infografia: Igor Estrella/G1Meningite meningocócica — Foto: Infografia: Igor Estrella/G1

Meningite meningocócica — Foto: Infografia: Igor Estrella/G1

Filho biológico de ‘três pessoas’ nasce na Grécia

O bebê foi concebido usando uma técnica experimental de fertilização in vitro, que tem sido criticada por alguns especialistas.

Uma mulher de 32 anos deu à luz na terça-feira (9), na Grécia, um bebê gerado com material genético de três pessoas.

A técnica experimental de fertilização in vitro foi usada como uma alternativa para solucionar o problema de infertilidade da mãe.

De acordo com os médicos, a mãe e a criança, que nasceu pesando 2,9 kg, passam bem.

Os médicos acreditam que estão "fazendo história na medicina" e que o tratamento poderia ajudar casais com problemas de fertilidade em todo o mundo.

Mas alguns especialistas no Reino Unido afirmam que o procedimento levanta questões éticas e não deveria ter ocorrido.

A técnica experimental utiliza um óvulo da mãe e o esperma do pai, além do óvulo de uma doadora.

E foi desenvolvida inicialmente para ajudar famílias afetadas por doenças mitocondriais fatais, transmitidas da mãe para o bebê.

O tratamento foi testado apenas uma vez com esta finalidade – no caso de uma mulher jordaniana portadora do gene da síndrome de Leigh, em 2016 – e provocou muita polêmica.

Mas alguns médicos especializados em fertilidade acreditam que a tecnologia também pode aumentar as chances de sucesso da fertilização in vitro.

Isso é tudo se deve às mitocôndrias – estruturas minúsculas presentes em praticamente todas as células do corpo humano, responsáveis por converter alimento em energia.

As doenças mitocondriais são distúrbios causados pela disfunção das mitocôndrias. Portanto, combinar o DNA da mãe com a mitocôndria de uma doadora saudável poderia prevenir a doença.

Em geral, a técnica repara a mitocôndria no óvulo materno antes de fertilizá-lo em laboratório com espermatozoide do pai.

Em paralelo, há especulações de que as mitocôndrias podem influenciar uma gravidez bem-sucedida. Mas essa teoria não foi testada.

A mulher que deu à luz nesta semana na Grécia havia passado sem sucesso por quatro ciclos de fertilização in vitro.

Ela agora é mãe, mas uma pequena parte da composição genética do seu filho é da doadora, uma vez que as mitocôndrias possuem DNA próprio.

A estrutura da célula

  • Núcleo: onde a maior parte do nosso DNA se concentra - determina nossa aparência e personalidade.
  • Mitocôndrias: muitas vezes descritas como as "usinas de energia" da célula, elas produzem a energia que a célula necessita para exercer suas funções.
  • Citoplasma: substância gelatinosa que contém o núcleo e as mitocôndrias.

O procedimento experimental foi realizado por especialistas em fertilidade na Grécia e na Espanha.

"O direito inalienável de uma mulher se tornar mãe com seu próprio material genético se tornou realidade", afirmou Panagiotis Psathas, presidente do Institute of Life, em Atenas.

"Estamos muito orgulhosos em anunciar uma inovação internacional em reprodução assistida, e estamos em condição agora de tornar possível para mulheres com múltiplas tentativas fracassadas de fertilização in vitro ou doenças genéticas mitocondriais raras ter uma criança saudável."

O centro espanhol Embryotools, que trabalhou em parceria com a equipe grega, anunciou que outras 24 mulheres estão participando do experimento e que oito embriões estão prontos para serem implantados.

Em fevereiro de 2018, médicos de Newcastle, que foram pioneiros nesta tecnologia, receberam autorização para gerar os primeiros bebês de "três pessoas" do Reino Unido.

O órgão regulador de fertilidade no país aprovou duas tentativas, ambas em famílias com doenças mitocondriais raras.

Alguns especialistas argumentam que as duas aplicações - fertilidade e prevenção de doenças - são moralmente muito diferentes.

"Estou preocupado que não haja necessidade comprovada de que uma mulher tenha material genético removido de seus óvulos e transferido para os óvulos de uma doadora", disse Tim Child, da Universidade de Oxford e diretor médico da organização The Fertility Partnership.

"Os riscos da técnica não são totalmente conhecidos, embora possam ser considerados aceitáveis ​​se usados ​​para tratar doenças mitocondriais, mas não nesta situação."

"A paciente poderia ter concebido mesmo que outro ciclo padrão de fertilização in vitro tivesse que ser usado", avalia.

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