Ciência e Saúde

'Precisamos oferecer produtos de acesso mais simples', diz diretor da Anvisa sobre uso medicinal de cannabis

O diretor da Anvisa, William Dib, disse nesta quarta-feira (31) que a agência está aberta ao debate de propostas para regulamentar o cultivo de maconha para fins medicinais e científicos.

A afirmação foi feita na abertura da audiência pública que discute duas propostas para regular como deve ser feito o plantio da planta no país.

 

"A agência reconhece que precisa oferecer produtos de acesso mais simples e mais fáceis que tragam os benefícios esperados para a população. Vamos ouvir as opiniões diversas e favoráveis. Assim que a democracia é feita”, disse William Dib, diretor da Anvisa.

 

Durante o evento, a Anvisa reforçou que não há previsão de regulamentação do uso da maconha para fins recreativos.

A audiência pública ocorre em duas partes. Pela manhã, a Anvisa discute a proposta que trata do registro e do monitoramento de medicamentos produzido à base de Cannabis. Serão discutidos detalhes como quem pode cultivar, forma de plantio, segurança, a quem pode ser entregue o produto e fiscalização.

No período da tarde a pauta cobrirá os procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos feitos com base na planta ou de seus derivados. A audiência desta quarta faz parte do processo de regulamentação do uso medicinal e científico da maconha, iniciado em junho. A consulta estará aberta até o dia 19 de agosto na plataforma da Anvisa.

Cultivo

 

A autorização para cultivo só será concedida a pessoas jurídicas. Há uma série de fatores de restrição e exigências para esse cultivo que vão desde acesso ao local do plantio, manipulação, armazenamento, transporte, distribuição e descarte.

Nessa primeira resolução o objetivo é a regulamentação dos requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da planta com fins medicinais e científicos, desde o plantio até a fase de secagem e distribuição.

A resolução prevê que o cultivo seja feito somente em sistemas de ambiente fechado e por pessoas jurídicas. O cidadão comum (pessoa física) não poderia ter pés de maconha em casa. Para cultivar, seria preciso ter uma autorização especial da Anvisa e supervisão da Polícia Federal.

A inspeção da agência reguladora exigiria, entre outras coisas, um rígido sistema de segurança com controle de acesso por biometria, alarmes e proteção de janelas duplas no local onde está a plantação. Além disso, o espaço não pode ter identificação externa.

A venda e a entrega da planta produzida seriam autorizadas somente para instituições de pesquisa, fabricantes de insumos farmacêuticos e fabricantes de medicamentos. O transporte teria de ser feito em veículos especiais.

 

Entidades se posicionam contra proposta

 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se posicionaram contra a regulamentação do plantio de cannabis no Brasil. A decisão pede a revogação e o cancelamento da abertura de consulta pública sobre o tema.

Segundo o texto, a decisão da Anvisa "desconsidera evidências científicas e não garante efetividade e segurança para os pacientes". Segundo o presidente do CFM, Carlos Vital, "a maconha não é uma droga inofensiva e são vastas as evidências científicas de que o uso precoce da droga leva à dependência".

"Acreditamos que é nossa missão informar e conscientizar a comunidade médica e científica, bem como educadores, legisladores, gestores e o público em geral, sobre o tema", se posiciona Vital, em nota.

 

Regras atuais

 

Atualmente, é proibido cultivar a planta de cannabis em território brasileiro. A lei determina que quem produz a cannabis para consumo pessoal está sujeito à prestação de serviços à comunidade e ao comparecimento a programa educativo, sem fazer ressalva ao uso médico.

Mas, nos últimos anos, a Anvisa e o Poder Judiciário já deram alguns passos no sentido de liberar o cultivo da planta para fins medicinais e científicos. Veja alguns deles abaixo:

 

  • Janeiro de 2015: Retirada do canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito, abrindo caminho para facilitar a comercialização de medicamentos com a substância no país;
  • Março de 2016: Autorização da prescrição de remédios à base de canabidiol e THC no Brasil;
  • Janeiro de 2017: Registro do primeiro remédio à base de maconha no Brasil, o Mevatyl, droga já aprovada em outros 28 países;
  • Abril de 2017: A Justiça Federal na Paraíba autorizou uma associação de João Pessoa a cultivar maconha para fins exclusivamente medicinais;
  • Maio de 2017: Inclusão da Cannabis sativa na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB) sob a categoria de "planta medicinal".
  • Junho de 2019: Diretoria colegiada da Anvisa aprova propostas que podem liberar o cultivo de maconha medicinal para indústria e ciência.

 

A ideia é que, ao regulamentar o cultivo da planta, caia o custo da produção de medicamentos com base na Cannabis sativa, e que se reduza também o número de ações judiciais para compra de remédios não registrados no Brasil.

Pacientes que sofrem de diversas doenças podem ser beneficiados com a mudança na regras, entre eles os que têm esclerose múltipla, autismo e dores crônicas oncológicas.

As propostas avaliadas nesta terça não preveem a liberação do cultivo nem do consumo de maconha para fins recreativos.

Japão aprova nascimento de embriões híbridos de humanos e animais

O Japão se tornou o primeiro país do mundo a permitir o nascimento de embriões híbridos de humanos e animais para a criação de órgãos humanos. Especialistas do Ministério da Ciência japonês aprovaram a proposta de um experimento nesta direção apresentada pelo pesquisador Hiromitsu Nakauchi, da Universidade de Tóquio.

Nakauchi pretende cultivar células-tronco humanas em embriões de camundongos, ratos e porcos e depois transplantar esse embrião em outro animal. Com a técnica, o pesquisador espera eventualmente desenvolver órgãos humanos completos que podem ser usados em transplantes.

Em março, o Japão havia suspendido a proibição ao desenvolvimento, por mais de 14 dias, de embriões híbridos de humanos e animais. A medida também colocou fim ao impedimento de transplantar órgãos desenvolvidos em embriões de animais para outros animais.

Pesquisas envolvendo o cultivo de células humanas em embriões de animais têm sido realizadas em vários países, como os Estados Unidos. No entanto, nenhum desses embriões chegou a se desenvolver até o nascimento.

A autorização concedida pelo Japão é alvo de críticas. Especialistas em bioética dizem que a pesquisa pode ter consequências inesperadas se algumas células humanas forem transferidas para o cérebro de um animal.

Nakauchi, contudo, afirmou à revista científica Nature que as intervenções são destinadas a afetar apenas o órgão que ele planeja desenvolver no embrião animal.

Em 2017, o pesquisador conseguiu curar um rato diabético ao desenvolver um pâncreas saudável em um embrião de rato e depois transplantá-lo para o rato doente.

Camundongos, ratos e porcos não são os melhores hospedeiros para o desenvolvimento de órgãos humanos devido à grande distância genética entre as espécies. Nakauchi, porém, espera que sua pesquisa contribua para que a ciência entenda melhor essa questão, além de determinar o que limita o desenvolvimento de células humanas em animais.

O sinal verde ao projeto já foi dado. Mas provavelmente só em agosto um grupo de especialistas do Ministério da Ciência do Japão deve decidir quais experimentos em detalhes serão aprovados.

Cirurgias em idosos: um novo desafio para os médicos

Na terça passada, publiquei uma coluna sobre câncer do estômago e o entrevistado, o cirurgião oncológico Raphael Araújo, falava sobre o desafio que as cirurgias em pacientes cada vez mais idosos representava para os médicos. Como os estudos realizados normalmente analisam pessoas até 65, no máximo 70 anos, não há um protocolo 100% confiável para os profissionais que se deparam com a decisão de levar indivíduos acima dessa faixa etária para o centro cirúrgico.

Mês passado, o jornal “The New York Times” tratou do mesmo tema: nos EUA, os acima dos 65 anos equivalem a 16% da população, mas correspondem a 40% dos que se submetem a cirurgias. Esse é o tipo de quadro que só tende a se ampliar e demanda uma discussão mais profunda. É que propõe um dos entrevistados. O cirurgião Clifford Ko, da Universidade da Califórnia, contou que recentemente operou um homem de 86 anos com câncer colorretal. Lembra que, há dez anos, a simples perspectiva de levar um paciente dessa idade para a sala de operações já envolvia questões como: “será que ele sobrevive à cirurgia?”.

No entanto, mais e mais octogenários se submetem a procedimentos complexos. Ao lado do também cirurgião e geriatra Ronnie Rosenthal, da Universidade de Yale, o doutor Ko integra um grupo que se preocupa com a qualidade dos resultados obtidos. Como era de se esperar, os riscos e complicações aumentam com a idade. Estudos mostram que pacientes acima dos 80 submetidos a cirurgias de pulmão, esôfago e pâncreas têm um índice de mortalidade bem acima daqueles entre 65 e 69 anos. Além de doenças crônicas, a internação em hospitais é um fator extra que conspira contra sua recuperação.

O Colégio Americano de Cirurgiões criou um protocolo a ser adotado para cirurgias envolvendo idosos. Num primeiro momento, os médicos acreditam que cerca de cem instituições deverão aderir a essas regras. Além de checar as vulnerabilidades desse paciente, será levado em conta o tipo de medicação a ser ministrada, para evitar danos. Por último, a comunicação deve ser muito clara, para não mascarar o risco de complicações ou criar falsas expectativas.

 

 

O uso do celular está mudando o formato do crânio humano

São Paulo – Você está sempre olhando para baixo quando usa o celular? Esse hábito pode estar mudando você. Um estudo, publicado pelo jornal Scientific Reports, indica que o uso excessivo de smartphones e outros aparelhos que forcem a cabeça a ficar inclinada para frente pode estar modificando o corpo humano. Mais especificamente, a região da cabeça perto da nuca.

De acordo com cientistas da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália, essa é a razão pela qual diversas pessoas mais novas possuem uma pequena cauda óssea na parte de trás da cabeça, exatamente na intersecção entre espinha dorsal e crânio. Tipicamente, o tamanho do crescimento é cerca de 2,6 centímetros, podendo chegar a até 3,1 centímetros de comprimento.

Conhecida cientificamente como protuberância occipital externa, de tipo entesófito ou aumentada, essa pequena elevação óssea surge em locais onde um ligamento ou tendão se conecta com um osso. Visto que essa “cauda” geralmente demoram um longo período de tempo para se tornarem evidentes, era comum que apenas pessoas mais velhas fossem estudadas.

Porém, o estudo demonstrou o contrário. Ao analisarem 1.200 pessoas com idade entre 18 a 86 anos, foi constatado que a elevação óssea é mais comumente encontrada em homens de 18 a 30 anos de idade. 33% dos participantes apresentaram grande crescimento na deformação do encontro da região da cabeça com a espinha dorsal.

Brasileiros dominam conferência da Apple para desenvolvedores

O Brasil foi o país com mais jovens estudantes agraciados pelo programa de bolsas de estudos oferecido pela Apple na WWDC19, a conferência anual de desenvolvedores da empresa, que está sendo realizada nesta semana na Califórnia.

Ao todo, 85 dos 350 escolhidos pelo programa são brasileiros. Ou seja, praticamente um de cada quatro jovens desenvolvedores são do país, o que fez com que o português fosse ouvido quase em todos os cantos do evento que ocorre no Mc Enery Convention Center.

"Eu adoro criar games e sempre tento inserir neles um componente educativo para que quem joga, além de se divertir, aprenda", explicou à Agência Efe Hugo Lispector, um dos escolhidos.

 Aluno de Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele participou de uma mesa redonda com vários brasileiros na WWDC19 e é o criador de dois jogos para smartphones, "Swift as the Wind", no qual o jogador deve estimar a força do vento para dirigir uma pequena barca, e "Aster", ambientado no espaço e que ensina conceitos como o da gravidade.

"Eu fiz tudo: o projeto, o código e até a trilha sonora", contou.

Na mesa também estava Izabella Melo, aluna de Engenharia da Computação da UFPE e a única mulher do debate. Preocupada justamente com a pequena participação feminina no setor, ela fundou com outras programadoras uma organização dedicada a promover o interesse das meninas na informática.

O sucesso dos jovens desenvolvedores brasileiros nesta edição do WWDC pode ser explicado, em parte, pela expansão da Apple Developer Academy Brasil, uma associação entre a Apple e dez universidades para ensinar programação a alunos do ensino superior.

Essas academias concebem o código não como algo específico da Engenharias ou da Informática, mas como uma linguagem em si mesma e, portanto, estão abertas a estudantes de qualquer curso, tanto de Matemática e Eletrônica quanto Direito e Design, por exemplo.

Casos de chikungunya caem 23% no Brasil em relação a 2018, mas aumentam no Rio de Janeiro

Embora o número de casos de chikungunya no Brasil esteja quase 23% abaixo do mesmo momento do ano passado, a doença atingiu mais pessoas em alguns estados brasileiros, como o Rio de Janeiro. (Veja tabela abaixo.)

Dados parciais do Ministério da Saúde até a Semana Epidemiológica 19, que terminou em 13 de maio, mostram a presença da chikungunya com base em casos prováveis, isto é, todos os casos notificados menos os descartados.

No Rio de Janeiro, estado disparado com maior número de casos no país, houve aumento de 26,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Rio registrou 25.459 casos até o momento, ante 20.086 casos no ano passado. Trata-se um aumento de 26,7% no número de casos.

Já o Pará, segundo estado no número de casos, observou queda de 18,8% em comparação com a semana equivalente de 2018. Foram 2.729 casos até aqui, ante 3.360 no ano passado. Minas Gerais viu uma redução ainda maior nos casos de chikungunya: de 9.625 no ano passado para 1.764 neste ano, ou queda de 81,7%.

Em São Paulo, o aumento foi de 550,2%, de 249 para 707 casos.

Em 2019, até a Semana 19, foram confirmadas 8 mortes em todo o país por causa da chikungunya (1 na Bahia, 6 no Rio de Janeiro e 1 no Distrito Federal). Há mais 39 mortes em investigação, sendo a maior parte, 16 delas, no estado de Pernambuco.

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