A Bolívia na terra prometida: futebol une sonhos e ameniza dores de imigrantes no Brasil

oaquin Alejandro Valencia Villca dá azar. É o primeiro dia de treinos do goleiro no retorno ao Jorge Wilstermann, um dos clubes mais tradicionais da Bolívia, e o campo está embarrado. Choveu forte na noite anterior. A bola chutada por seus conterrâneos viaja carregada de lama. Da beira do gramado, a mãe de Joaquin, boliviana, observa o filho. Ela está acompanhada de uma amiga, também boliviana. Fala-se espanhol por ali. Nem parece o Jardim Têxtil, um bairro de São Paulo, a maior cidade do Brasil.

 
Em meio à lama, Joaquin também agarra um sonho: em um novo país, quer virar goleiro, como o ídolo que deixou na Bolívia — Foto: Marcos RibolliEm meio à lama, Joaquin também agarra um sonho: em um novo país, quer virar goleiro, como o ídolo que deixou na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Em meio à lama, Joaquin também agarra um sonho: em um novo país, quer virar goleiro, como o ídolo que deixou na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Aos 13 anos, Joaquin vai conhecendo a nova pátria, uma espécie de terra prometida para milhares de bolivianos que, como ele, se apegam a alguma esperança de uma vida melhor. Aquela é uma sexta-feira, e ele está no país há uma semana. Veio para ficar, ajudando a compor o segundo maior grupo de estrangeiros que migraram para o Brasil na década – atrás apenas dos haitianos.

Tamanha a comunidade boliviana por aqui, os três clubes de futebol mais vencedores do país abriram escolinhas de futebol em São Paulo. O Bolívar é outro com projeto consolidado, e o The Strongest iniciou as aulas este ano.

No campo do Jorge Wilstermann na capital paulista, Joaquin encontra um vínculo com o país que deixou para trás – onde também treinava na base do clube, em Cochabamba. Nas mãos, carrega as luvas que ganhou de presente do goleiro titular e ídolo do clube, o paraguaio Pipo Gimenez, que o apadrinhou quando Joaquin ainda estava na Bolívia.

 
Em São Paulo, Joaquin lava as luvas que ganhou na Bolívia do goleiro titular do Jorge Wilstermann, Pipo Giménez — Foto: Marcos RibolliEm São Paulo, Joaquin lava as luvas que ganhou na Bolívia do goleiro titular do Jorge Wilstermann, Pipo Giménez — Foto: Marcos Ribolli

Em São Paulo, Joaquin lava as luvas que ganhou na Bolívia do goleiro titular do Jorge Wilstermann, Pipo Giménez — Foto: Marcos Ribolli

A mãe de Joaquin, Agueda Villca, se convenceu a migrar para o Brasil depois de conversar com ex-jogadores bolivianos e não ver futuro para o filho nos campos do país. Ela lhes perguntou por que a Bolívia não conseguia se classificar para uma Copa do Mundo desde 1994. Escutou que falta estrutura ao futebol local – e que a tendência é de que isso não mude nos próximos anos. Formada em engenharia de sistemas, mas sem emprego na área e divorciada, ela não viu motivos para seguir na Bolívia. Ganhou abrigo na casa de uma amiga, que veio para o Brasil há sete anos e trabalha como costureira.

 
Agueda, mãe de Joaquin, assiste ao primeiro treino do filho no Brasil ao lado da amiga, também boliviana, que a abriga no novo país — Foto: Marcos RibolliAgueda, mãe de Joaquin, assiste ao primeiro treino do filho no Brasil ao lado da amiga, também boliviana, que a abriga no novo país — Foto: Marcos Ribolli

Agueda, mãe de Joaquin, assiste ao primeiro treino do filho no Brasil ao lado da amiga, também boliviana, que a abriga no novo país — Foto: Marcos Ribolli

É interessante como o menino, mesmo recém-chegado, personifica dois pontos centrais para a comunidade boliviana no Brasil: a busca por uma vida melhor e a forte relação com o futebol.

 

Os bolivianos vêm para cá trabalhar, e acabam trabalhando muito – são corriqueiras denúncias de que alguns vivem em situação análoga à escravidão.

 

O futebol, justamente no país do futebol, serve como desafogo e ajuda a mantê-los em comunidade.

 
Escolinha do Bolívar fica em área cercada de bairros que são redutos de imigrantes, muitos bolivianos entre eles — Foto: Marcos RibolliEscolinha do Bolívar fica em área cercada de bairros que são redutos de imigrantes, muitos bolivianos entre eles — Foto: Marcos Ribolli

Escolinha do Bolívar fica em área cercada de bairros que são redutos de imigrantes, muitos bolivianos entre eles — Foto: Marcos Ribolli

No Jorge Wilstermann, imigrantes como Joaquin se confundem com meninos brasileiros que compartilham com eles o sonho de jogar futebol (dos 140 alunos, 40 são estrangeiros). Mas o Brasil se torna mais boliviano a 10km dali, no centro de treinos do Bolívar, onde a presença dos vizinhos é ainda mais impressionante.

 

 

A localização explica: o campo fica no Canindé, cercado por bairros como Brás, Pari e Bom Retiro, grandes redutos de imigrantes em São Paulo. No meio do caminho entre os dois, fica a quadra onde treina a turma do Strongest, composta 90% de bolivianos.

 
Alunos da escolinha do Strongest; projeto começou este ano — Foto: DivulgaçãoAlunos da escolinha do Strongest; projeto começou este ano — Foto: Divulgação

Alunos da escolinha do Strongest; projeto começou este ano — Foto: Divulgação

 

Nas praças, nas quadras, nos campos

 

A Banda Espectacular 100x100 Mi Bolivia é a grande atração no domingo de encerramento do carnaval na Praça Kantuta, onde crianças correm de um lado para o outro metralhando outras crianças com jatos d’água saídos de armas de brinquedo – uma tradição na Bolívia que elas repetem naquele pedaço de São Paulo, ponto de reunião de bolivianos especialmente aos domingos. A ideia da banda é se apresentar na quadra de futsal da praça, mas há um porém: tem gente jogando bem na hora, e eles não parecem dispostos a parar.

 
Crianças brincam no encerramento do carnaval na Feira Kantuta, reduto boliviano na capital paulista — Foto: Alexandre AlliattiCrianças brincam no encerramento do carnaval na Feira Kantuta, reduto boliviano na capital paulista — Foto: Alexandre Alliatti

Crianças brincam no encerramento do carnaval na Feira Kantuta, reduto boliviano na capital paulista — Foto: Alexandre Alliatti

Resta à banda compartilhar o espaço com a bola. Enquanto os músicos tocam, bolivianos correm vestidos com camisas de times europeus (PSG, Barcelona), e essas camisas têm estampados nomes estrangeiros (o francês Mbappé, o brasileiro Philippe Coutinho), em uma lembrança de uma globalização que não costuma prestigiar o futebol da Bolívia.

 
Chegada de banda não interrompe jogo em quadra da Praça Kantuta — Foto: Alexandre AlliattiChegada de banda não interrompe jogo em quadra da Praça Kantuta — Foto: Alexandre Alliatti

Chegada de banda não interrompe jogo em quadra da Praça Kantuta — Foto: Alexandre Alliatti

O país, primeiro adversário do Brasil na Copa América, em junho, é o 60º colocado no ranking da Fifa, ficou em penúltimo nas eliminatórias sul-americanas para o Mundial da Rússia (à frente apenas da Venezuela) e não tem jogadores nas principais ligas europeias. Mesmo assim, naquele dia na Praça Kantuta, enquanto a Banda Espectacular toca, uma camisa do Oriente Petrolero, clube de Santa Cruz de la Sierra, resiste na quadra.

 
Banda Espectacular 100x100 Mi Bolivia toca na quadra de futsal da Praça Kantuta — Foto: Alexandre AlliattiBanda Espectacular 100x100 Mi Bolivia toca na quadra de futsal da Praça Kantuta — Foto: Alexandre Alliatti

Banda Espectacular 100x100 Mi Bolivia toca na quadra de futsal da Praça Kantuta — Foto: Alexandre Alliatti

O mesmo acontecerá dias depois, em um torneio chamado Sangre Boliviano – uma das dezenas de competições organizadas e disputadas pela comunidade boliviana em São Paulo. Um time veste, orgulhoso, a camisa do Oriente Petrolero, e outro a do Jorge Wilstermann, e outros têm nomes que soam latinos – o Pasión Deportivo, o Siempre Carnales, o Unión Amigos, o 11 Estrellas, o Rompe Ballas.

Mas também há uma equipe chamada Real Madrid, e um jogo reúne um time vestido de River Plate e outro com camisa do PSG. Seja qual for o uniforme, uma certeza prevalece: aqueles que o vestem ou são nascidos na Bolívia, ou são descendentes de bolivianos. O vínculo com o país é uma exigência para poder ir a campo e estar no centro da festa, enquanto familiares tomam as arquibancadas para assistir aos jogos.

– O boliviano trabalha de segunda a sábado, tem o domingo livre e sai para as quadras para se divertir. É a maior diversão que os bolivianos têm no Brasil – comenta Bladimir Mamani, organizador de torneios.

 
Bolivianos vestem camisas de PSG e River Plate em um dos torneios organizados e disputados pela comunidade em São Paulo — Foto: Marcos RibolliBolivianos vestem camisas de PSG e River Plate em um dos torneios organizados e disputados pela comunidade em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Bolivianos vestem camisas de PSG e River Plate em um dos torneios organizados e disputados pela comunidade em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Perto da quadra onde ocorre o torneio, corre mais sangue boliviano. Basta sair do ginásio e andar por 400 metros para se chegar ao projeto onde meninas, dezenas delas, são maioria – e, quase todas, bolivianas. É curioso: o espaço fica em um bairro chamado Jardim Japão, com ruas batizadas com nomes japoneses, como que a lembrar um dos povos migrantes que mais marcaram a formação de São Paulo.

 
O nome do projeto também explica a história das meninas migrantes: muitas já nasceram em São Paulo, filhas de bolivianos — Foto: Marcos RibolliO nome do projeto também explica a história das meninas migrantes: muitas já nasceram em São Paulo, filhas de bolivianos — Foto: Marcos Ribolli

O nome do projeto também explica a história das meninas migrantes: muitas já nasceram em São Paulo, filhas de bolivianos — Foto: Marcos Ribolli

Mas hoje o que identifica o bairro é a mistura de origens, e as meninas treinam com camisetas (costuradas por bolivianos) que dizem tudo: “Nova geração boliviana em SP”. Algumas são crianças; outras, adolescentes. Elas enfrentam os meninos com desenvoltura. São tão boas quanto eles – talvez melhores.

 
Menina e menino disputam bola em escolinha para bolivianos em São Paulo — Foto: Marcos RibolliMenina e menino disputam bola em escolinha para bolivianos em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Menina e menino disputam bola em escolinha para bolivianos em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

O coordenador do projeto se chama Andres Espinosa. Ele tentou a carreira de futebol na Bolívia, mas não se profissionalizou. Há 22 anos, veio ao Brasil em busca de trabalho – e conseguiu: justamente com futebol. Nos fins de semana, ensina futsal para meninas; durante a semana, é um dos treinadores da escolinha do Jorge Wilstermann.

 
Andres Espinosa, boliviano há 22 anos no Brasil, orienta treinamento no campo do Jorge Wilstermann em São Paulo — Foto: Marcos RibolliAndres Espinosa, boliviano há 22 anos no Brasil, orienta treinamento no campo do Jorge Wilstermann em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Andres Espinosa, boliviano há 22 anos no Brasil, orienta treinamento no campo do Jorge Wilstermann em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

 

Idas e vindas

 

Na casa que abriga o consulado da Bolívia, em uma rua bucólica da Vila Mariana, em São Paulo, um banner reforça a campanha do governo por acesso ao mar. O pleito é antigo – vem de rusgas da independência do país, em 1825, e envolve negociações sem fim entre Bolívia e Chile para que o país presidido por Evo Morales ganhe uma faixa de contato com o oceano.

Mas em idos de março, quando a reportagem visita o consulado, é evidente que as preocupações por ali são mais simples. Bolivianos fazem fila em busca de documentos – mães amamentam bebês enquanto esperam a regularização de suas certidões de nascimento. Estes são os migrantes dispostos a ficar em situação regular no Brasil. Muitos outros não se preocupam com isso.

– Acreditamos que sejam 300, 350 mil bolivianos no Brasil. Esse universo não é bem confiável. Tem gente que fala que tem muito mais. É um pouco difícil contabilizar, ter uma estatística mais confiável. Antes de 2005, era possível ter uma quantidade exata, porque as pessoas vinham com passaporte. De 2005 para cá, com a cédula de identidade, não tem esse registro. Mas muita gente fala que tem muito mais de 350 mil – comenta Rolando Ignácio Bulacios, cônsul adjunto da Bolívia em São Paulo.

 
Bolivianos cortam cabelo na Praça Kantuta — Foto: Alexandre Alliatti

Bolivianos cortam cabelo na Praça Kantuta — Foto: Alexandre Alliatti

Dados enviados pela Polícia Federal à reportagem indicam a presença de pouco mais de 150 mil bolivianos no Brasil – a enorme maioria em São Paulo. A diferença entre os números oficiais e as estimativas se explica pela quantidade de migrantes que não se preocupam em formalizar sua situação. Mas os dados em posse do governo já bastam para fazer dos bolivianos a segunda maior comunidade estrangeira no Brasil, atrás apenas dos portugueses.

 

 

No ano passado, no período que cercou a vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial brasileira, o consulado em São Paulo percebeu um aumento no contingente de bolivianos buscando regularização. Eles temiam que o país, no novo governo, mudasse as regras para estrangeiros.

– A gente viu pessoas que, com muito tempo de permanência, estavam tirando a documentação, porque houve um boato de que o Bolsonaro ia acabar com o Mercosul. Houve uma avalanche de pessoas aqui – lembra Bulacios.

A longa permanência não é regra. É comum que bolivianos venham ao Brasil para ficar poucos meses. Juntam algum dinheiro, voltam para a Bolívia, depois retornam para cá, e esse movimento pendular não os anima a tirar a documentação de permanência – mesmo que o trâmite seja simples: basta ter documento de identidade, certidão de nascimento e atestado de bons antecedentes criminais para dar entrada no pedido. A regularização pode ser feita tanto na Bolívia quanto no Brasil.

Muitos apostam na informalidade. De 2010 a 2017, a Polícia Federal registrou a entrada de 44.041 bolivianos como migrantes de longo termo – aqueles que chegam a um país para efetivamente se estabelecer nele. Foi a segunda nação com mais entrada no Brasil. No mesmo período, foram emitidas 16.142 carteiras de trabalho para bolivianos – novamente, o segundo país mais ativo, mas com números decrescentes, ano a ano, desde 2013.

É em São Paulo que o tamanho da comunidade fica mais visível. Dos 151 mil bolivianos registrados pela Polícia Federal, 107 mil (70% do total) estão em São Paulo. E eles jogam futebol. Muito futebol.

Da mesa do cônsul adjunto, sai um papel que lista 15 campeonatos diferentes organizados por (e para) bolivianos na capital. Eles se espalham por todas as zonas da cidade, em bairros como Casa Verde, Jardim Brasil, Pari, Bom Retiro, Penha, Jardim Fontális, Guaianases, Belém. E vão além, alcançando cidades como Guarulhos e Carapicuíba. Nestes torneios, se consolidam como uma parte da paisagem paulista(na) – mesmo que muitos sonhem fazer o caminho de volta.

 
Garotos recebem orientações em treino da escolinha do Bolívar em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Garotos recebem orientações em treino da escolinha do Bolívar em São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Nas escolinhas dos clubes bolivianos, existe um fenômeno curioso: meninos que planejam se tornar jogadores... na Bolívia. Jorge Wilstermann e Bolívar têm intercâmbios para que atletas das escolinhas brasileiras passem por períodos de testes em Cochabamba ou La Paz.

 Alunos chegam para treino no projeto do Jorge Wilstermann no Jardim Têxtil — Foto: Marcos Ribolli

Alunos chegam para treino no projeto do Jorge Wilstermann no Jardim Têxtil — Foto: Marcos Ribolli

Quando a reportagem visitou o Bolívar, nove jogadores se programavam para um período de três semanas de treinos na Bolívia. Eles tinham como espelho o caso de Joel Ajno, um defensor boliviano que veio ao Brasil quando tinha cinco anos, jogou na escolinha do Bolívar em São Paulo, foi aprovado em um teste e hoje faz parte das categorias de base do clube na Bolívia.

 
Joel Ajno é boliviano, veio ao Brasil com cinco anos e agora está de volta à Bolívia: joga nas categorias de base do Bolívar em La Paz — Foto: Divulgação

Joel Ajno é boliviano, veio ao Brasil com cinco anos e agora está de volta à Bolívia: joga nas categorias de base do Bolívar em La Paz — Foto: Divulgação

Jovens como o goleiro Nik Jorel Camacho, boliviano, e o meia-atacante Anderson Mugica Mamani, brasileiro filho de bolivianos, ambos de 18 anos, esperam seguir os passos de Joel – e fazer o caminho de volta de seus pais. Eles são amigos e estão entre os nove jogadores que farão testes na Bolívia. E têm histórias parecidas.

 
Anderson, nascido no Brasil, e Nik, nascido na Bolívia, treinam em São Paulo antes de período de testes na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Anderson, nascido no Brasil, e Nik, nascido na Bolívia, treinam em São Paulo antes de período de testes na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

O destino dos dois foi traçado quando suas mães decidiram deixar a Bolívia para trabalhar no Brasil. Marcelina Condoyi, mãe de Nik, viajou sozinha para São Paulo e, depois de um ano e meio, buscou os filhos em Cachabamba (o pai nunca veio ao Brasil). Ela trabalhou numa padaria na capital paulista e depois passou a costurar – a atividade mais comum aos bolivianos no Brasil. Nik, o mais velho de três irmãos, chegou ao novo país em 2012 e, já no segundo dia, foi assaltado. Os ladrões lhe tomaram um MP3 player. Ele quis voltar para a Bolívia, mas a mãe não deixou. Agora, a esperança do retorno está no futebol.

– Estou ansioso pelo teste lá. É minha chance, porque minha meta é ser jogador de futebol – diz o goleiro.

 Mãe de Nik veio sozinha para o Brasil, em busca de trabalho, e depois trouxe os filhos da Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Mãe de Nik veio sozinha para o Brasil, em busca de trabalho, e depois trouxe os filhos da Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Anderson já nasceu em São Paulo. A mãe migrou para o Brasil aos 16 anos, animada com os relatos de um primo sobre os salários muito maiores do que na Bolívia. Chegando aqui, trabalhou em casas de família e mandava todo o dinheiro para a família na Bolívia. E chorava de saudade. Queria voltar.

Mas insistiu, e quatro anos depois deu Anderson à luz. Ainda criança, ele passou um tempo na Bolívia, mas logo retornou. Hoje, vive em Guarulhos com a mãe, o padrasto e três irmãos – a família trabalha em uma banca de roupas. O pai vive em La Paz. Anderson já tinha planejado um período de testes no Bolívar, mas não conseguiu viajar. Faltou justamente a assinatura do pai. Agora, maior de idade, ele vai em busca do sonho no país de onde a mãe migrou.

– Se for possível, quero ficar lá. É uma chance para começar. Quero virar profissional e ganhar dinheiro para minha família não precisar mais trabalhar – afirma Anderson.

 
Anderson pode fazer o caminho contrário da mãe: deixar o Brasil para se estabelecer na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Anderson pode fazer o caminho contrário da mãe: deixar o Brasil para se estabelecer na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Na escolinha do Jorge Wilstermann, os objetivos são parecidos. Este ano, nove meninos foram enviados à Bolívia para fazer testes, e seis foram aprovados. Três ficaram por lá e foram emprestados a um clube da Segunda Divisão chamado Arauco Prado. Outros três, todos brasileiros, iriam em abril e ficariam no time sub-19 do Jorge Wilstermann até o final do ano.

– Eu ia até parar de jogar. Mas passei no teste e achei que era uma boa oportunidade. O objetivo é me profissionalizar lá. É uma vitrine – diz o zagueiro Kaio Vinicius, de 18 anos, um dos selecionados.

 
Brasileiros do Jorge Wilstermann passarão por período de testes na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Brasileiros do Jorge Wilstermann passarão por período de testes na Bolívia — Foto: Marcos Ribolli

Kaio Vinicius é um brasileiro indo para a Bolívia tentar jogar futebol. E treina na mesma escolinha de Joaquin Villca, o menino que abre esta reportagem, um boliviano que veio ao Brasil com o mesmo objetivo.

– No começo, sei que a vida aqui será dura. Depois, quero ser reconhecido. Tenho um sonho. Não quero ser como os outros. Quero me sobressair – afirma Joaquin.

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