Economia

Ambev lançará primeira água mineral em lata do Brasil até fim de 2019

A Ambev SA lançará a primeira água mineral em lata do Brasil até o fim do ano, acompanhando uma tendência global entre fabricantes de bebidas, que vêm substituindo o plástico por alumínio para atender às exigências de consumidores cada vez mais conscientes em relação ao meio ambiente.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo da matriz Anheuser Busch InBev para cumprir metas ambiciosas de sustentabilidade em suas operações globalmente e surge num momento em que outras multinacionais como Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé também lançam águas em lata mundo afora.

No Brasil, a Ambev começará produzindo a versão em lata de sua marca de água mineral AMA em uma cervejaria no Rio de Janeiro, mas o plano é distribuir o produto para todo o país, disse o chefe de sustentabilidade da companhia, Richard Lee, em entrevista à Reuters.

Ele recusou-se a entrar em detalhes sobre os investimentos necessários, mas alertou que o envase da água em lata não exigirá novos maquinários. O executivo acrescentou que o preço de venda provavelmente será mais baixo, ainda que o custo de produção na lata em alumínio seja maior que no plástico.

"É mais caro trabalhar com a lata que com o plástico, mas o que importa é o impacto. Não só as latas de alumínio são amplamente recicladas aqui como também são fonte de renda para milhares de famílias", afirmou Lee, destacando que o Brasil é líder em reciclagem de latas de alumínio no mundo.

Mais de 97% de todas as latas de alumínio para bebida são recicladas no país, conforme dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) e da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

Por outro lado, o plástico tem uma taxa de reciclagem significativamente menor que a do alumínio e, consequentemente, está entre os materiais que mais poluem os oceanos.

"Estamos otimistas com as vendas e esperamos que a AMA em lata em 2020 venda volume maior que a soma de 2017 e 2018 com a garrafa tradicional de plástico", contou Lee, acrescentando que a companhia vendeu mais de 12 milhões de unidades neste período de dois anos.

 
Ambev começará produzindo a versão em lata de sua marca de água mineral AMA em uma cervejaria no Rio de Janeiro — Foto: Divulgação/AmbevAmbev começará produzindo a versão em lata de sua marca de água mineral AMA em uma cervejaria no Rio de Janeiro — Foto: Divulgação/Ambev

Ambev começará produzindo a versão em lata de sua marca de água mineral AMA em uma cervejaria no Rio de Janeiro — Foto: Divulgação/Ambev

Só no primeiro semestre de 2019, foram vendidas 3,4 milhões de unidades da AMA, mostrou o balanço mais recente da Ambev.

Lançada em 2017, a AMA é uma marca de água cujo lucro é completamente destinado para projetos de acesso à água potável em comunidades do semiárido brasileiro. A empresa espera encerrar 2019 com 50 projetos financiados e mais de 43 mil pessoas beneficiadas, segundo o executivo.

Apesar do entusiasmo com a nova embalagem, Lee disse que a Ambev não planeja eliminar completamente as garrafas de plástico do seu portfólio, pelo menos por enquanto. Mas a crescente adoção de latas em alumínio é tendência também entre suas marcas de cerveja, conforme a empresa busca oferecer mais opções aos consumidores.

Conjuntura: dívida pública dispara, apesar dos juros baixos

Pela primeira vez desde outubro de 2014, os gastos com o pagamento dos juros da dívida pública ficaram abaixo do equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado de 12 meses, até agosto, o governo desembolsou R$ 349,2 bilhões ou 4,96% do PIB para remunerar os títulos que emite para financiar o deficit das contas públicas. Em março de 2001, essa despesa chegou a 9,45% do PIB, no acumulado de 12 meses.  Mas apesar da taxa Selic estar no menor patamar histórico, 5,5% ao ano, a relação dívida-PIB não para de crescer e deve subir dos atuais 79,8% para 80% do PIB até o fim do ano, nos cálculos do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida.

Com as contas no vermelho, o Tesouro Nacional está sendo obrigado a emitir títulos para a rolagem da dívida pública bruta, que bate recorde e chegou a R$ 5,6 trilhões em agosto, de acordo com o Banco Central. A dívida bruta abrange o total dos débitos federal, estaduais e municipais junto aos setores privado, público e externo. Os números mostram que o desequilíbrio fiscal ainda persiste, apesar dos esforços do Tesouro em cortar as despesas. 

Para o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central, entre os principais motivos para a dívida bruta continuar avançando está o baixocrescimento econômico. “Quando olhamos a dívida em relação ao PIB, que é o relevante, o denominador da operação está crescendo pouco. É uma questão matemática”, disse. A

projeção do Banco Central, divulgada semanalmente pelo Boletim Focus, é que o crescimento econômico em 2019 fique em 0,87%. 

Segundo Freitas, o índice mais relevante para medir a dívida pública é o crescimento em relação ao PIB. “É como se fosse a dívida de uma pessoa física medida em relação à sua renda. O mais rico pode ter uma dívida maior do que o mais pobre, mas, em relação à renda, o valor devido pode ser insignificante. O PIB é uma medida de renda interna do país”, comparou. 

O economista explicou que a dívida bruta cresce em função de três fatores: da taxa de juros, do crescimento do PIB e do resultado primário (diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar as despesas com juros). “Quanto mais positivo o resultado primário, menos a dívida cresce. Assim como quanto maior o crescimento do PIB, menos a dívida avança. Com juros mais baixos, deveria ser menor, mesmo o crescimento da dívida bruta. Mas, com pouco crescimento econômico, apesar da taxa de juros reais baixa, a dívida continua subindo. O ideal seria um resultado primário mais robusto”, disse. 

O deficit primário do setor público foi de R$ 13,4 bilhões em agosto. Apesar de estar abaixo dos R$ 16,9 bilhões do mesmo mês no ano passado, ainda pesa, considerando o ajuste fiscal necessário. Como o país possui resultado primário negativo desde 2014, é preciso rolar parte da dívida em títulos públicos, que estão para vencer e contrair novas dívidas. 

Para José Júlio Senna, ex-diretor da Dívida Pública e Mercado Aberto do Banco Central e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o fato de o Brasil ainda ter um deficit primário e precisar de reformas deixa o país longe da solução dos problemas fiscais. “O crescimento da dívida é mais um sinal importante de que não se pode desistir do ajuste das contas. É um esforço permanente”, destacou.  Na visão dele, o denominador (PIB) da equação também define a relação de crescimento ou não da dívida bruta.  

Ainda na análise de Senna, o Banco Central tem apontado alguns sinais de melhora, no entanto, ele acredita que a economia não vai deslanchar tão cedo. “Não devemos esperar uma redução fantástica a curto prazo. Para que haja uma solução para a dívida bruta, é importante não esmorecer no esforço de fazer as reformas necessárias, que vão permitir o ajuste das contas e a retomada do crescimento, que é essencial”, comentou. 

Momento favorável

Na avaliação do professor Senna, o momento atual é favorável para que o BC contribua para os ajustes por meio da política monetária. “Nunca houve um momento tão propício para isso. Ao longo das últimas décadas, o BC operou remando contra a maré, fazendo um esforço gigantesco. Queria trazer a inflação para baixo, mas usava uma política apertada e o gasto público continuava crescendo. Com isso, tinha dificuldade de produzir resultados”, disse. 

Para Senna, a estratégia iniciada em 2016 foi importante  por ancorar a expectativa da  inflação para depois mexer na taxa de juros. “Isso mostrou muita firmeza e não cedeu à tentação, que era enorme, de reduzir o juros para estimular a atividade econômica”, afirmou.  

De acordo com ele, baixar os juros antes de estabilizar a expectativa da inflação seria uma solução de curto prazo, não uma vitória permanente. “As expectativas ficaram bem ancoradas, dando tranquilidade para o mercado e para a redução de juros”. 

Para Senna, entre outras medidas—como o teto de gastos e o menor desembolso do BNDES—, o acúmulo de reservas internacionais coloca o país em uma posição confortável externamente. “Em várias frentes, foram tomadas medidas que ajudam muito o lado fiscal e o monetário. O novo ambiente externo, com juros baixos e inflação no chão, estimula investimento em papéis brasileiros. O prêmio de risco dos nossos papéis lá fora diminuiu. As expectativas são mais favoráveis”, avaliou. 

Cuidador de casas abandonadas vira profissão em alta em meio à crise na Venezuela

"Dá pra ver que ela foi bonita em algum momento no passado... num passado bem distante", brinca Isabel* enquanto limpa a camada grossa do pó que recobre os móveis da cozinha de uma propriedade cujos donos deixaram a Venezuela há cinco anos.

Ela costuma ir à casa de 15 em 15 dias e, a cada visita, a encontra "de mal a pior". "Dá vontade de sair correndo. Cada vez que venho a limpeza fica mais difícil, mas preciso de dinheiro e, fazendo esse tipo de coisa, consigo ganhar um pouquinho mais", explica. A professora é um dos muitos venezuelanos que nos últimos anos tem recorrido a um negócio em ascensão: cuidar das casas de quem abandonou o país.

Isabel ganha entre US$5 e US$7 por mês, trabalhando 10 dias. O salário mínimo vigente atualmente na Venezuela equivale a US$ 2 por mês.

 

"Ganho mais que muita gente que passou anos e anos em uma universidade. Ainda assim, o dinheiro não dá pra nada. Está tudo muito caro", lamenta ela, que pediu para não ser identificada.

 

 
Cuidar das casas de quem abandonou o país virou profissão em alta na Venezuela — Foto: Getty Images
Cuidar das casas de quem abandonou o país virou profissão em alta na Venezuela — Foto: Getty Images
 

 

Alguém para acender a luz

 

A maioria dos que abandonam o país deixa as chaves com algum familiar ou um vizinho – alternativas economicamente mais viáveis para muita gente, sem a necessidade de recorrer a cuidadores.

Natural de Caracas, Luisa* vive em um bairro na região sudeste da cidade, em um edifício que está "praticamente desocupado". "O apartamento aqui ao lado, de 60 m², esteve vazio por quatro anos. Uma vizinha vinha toda noite acender as luzes e voltava pela manhã para apagá-las."

Ela explica que muita gente adota essa estratégia para tentar evitar que a casa seja invadida ou expropriada. "Minha mãe tinha vários apartamentos em Caracas. Um deles foi expropriado pelo governo e outro, invadido", diz.

 
as propriedades estão hoje desocupadas no país. A oposição e muitos proprietários de imóveis veem o anúncio como uma ameaça de possível expropriação das casas daqueles que decidiram sair do país.
 

Luisa, que é advogada, explica que o código penal venezuelano considera delito a invasão a um domicílio, mas ressalta que essa é uma lei "que simplesmente não se cumpre". "A lei também prevê o dobro da pena para quem promove a invasão, que, neste caso, é o próprio governo venezuelano", opina.

"Dá pra ver que ela foi bonita em algum momento no passado... num passado bem distante", brinca Isabel* enquanto limpa a camada grossa do pó que recobre os móveis da cozinha de uma propriedade cujos donos deixaram a Venezuela há cinco anos.

Ela costuma ir à casa de 15 em 15 dias e, a cada visita, a encontra "de mal a pior". "Dá vontade de sair correndo. Cada vez que venho a limpeza fica mais difícil, mas preciso de dinheiro e, fazendo esse tipo de coisa, consigo ganhar um pouquinho mais", explica. A professora é um dos muitos venezuelanos que nos últimos anos tem recorrido a um negócio em ascensão: cuidar das casas de quem abandonou o país.

Isabel ganha entre US$5 e US$7 por mês, trabalhando 10 dias. O salário mínimo vigente atualmente na Venezuela equivale a US$ 2 por mês.

 

"Ganho mais que muita gente que passou anos e anos em uma universidade. Ainda assim, o dinheiro não dá pra nada. Está tudo muito caro", lamenta ela, que pediu para não ser identificada.

 

 
Cuidar das casas de quem abandonou o país virou profissão em alta na Venezuela — Foto: Getty ImagesCuidar das casas de quem abandonou o país virou profissão em alta na Venezuela — Foto: Getty Images

Cuidar das casas de quem abandonou o país virou profissão em alta na Venezuela — Foto: Getty Images

 

 

Alguém para acender a luz

 

A maioria dos que abandonam o país deixa as chaves com algum familiar ou um vizinho – alternativas economicamente mais viáveis para muita gente, sem a necessidade de recorrer a cuidadores.

Natural de Caracas, Luisa* vive em um bairro na região sudeste da cidade, em um edifício que está "praticamente desocupado". "O apartamento aqui ao lado, de 60 m², esteve vazio por quatro anos. Uma vizinha vinha toda noite acender as luzes e voltava pela manhã para apagá-las."

Ela explica que muita gente adota essa estratégia para tentar evitar que a casa seja invadida ou expropriada. "Minha mãe tinha vários apartamentos em Caracas. Um deles foi expropriado pelo governo e outro, invadido", diz.

 
 Maduro prepara um censo de imóveis para aferir quais estão desocupados — Foto: Getty Images
Maduro prepara um censo de imóveis para aferir quais estão desocupados — Foto: Getty Images
 

O governo de Nicolás Maduro anunciou recentemente a realização de um censo para verificar quantas propriedades estão hoje desocupadas no país. A oposição e muitos proprietários de imóveis veem o anúncio como uma ameaça de possível expropriação das casas daqueles que decidiram sair do país.

Luisa, que é advogada, explica que o código penal venezuelano considera delito a invasão a um domicílio, mas ressalta que essa é uma lei "que simplesmente não se cumpre". "A lei também prevê o dobro da pena para quem promove a invasão, que, neste caso, é o próprio governo venezuelano", opina.

A crise econômica pela qual a Venezuela passa já forçou 4 milhões de pessoas a abandonarem o país, de acordo com os números do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

 
A crise já obrigou 4 milhões de venezuelanos a deixar o país — Foto: Getty Images
A crise já obrigou 4 milhões de venezuelanos a deixar o país — Foto: Getty Images

Muitos proprietários preferiram deixar as chaves de suas casas com pessoas de confiança a tentar vender ou alugar o imóvel. "Não quis vender porque os preços caíram muito. O valor da minha casa, por exemplo, caiu perto de 40%", afirma Fabiana*, venezuelana que hoje vive no Peru.

Colocar para alugar também não é uma opção. "Você precisa de um sujeito de confiança como inquilino, sob o risco de que alguém acabe ocupando ou invadindo o imóvel."

Aprovada na administração de Hugo Chávez, a Lei Contra o Despejo e a Desocupação Arbitrária de Domicílios, de 2011, determina que não pode haver despejo forçado sem que antes se garanta uma moradia para a parte afetada, já que este seria um direito social de qualquer cidadão.

Também por isso, pouca gente se arrisca a alugar seus imóveis para terceiros.

 

Entre US$ 50 e US$ 100 mensais

 "As pessoas querem alugar porque, quando a casa fica muito tempo vazia, ela acaba se deteriorando. Mas, como as leis venezuelanas não protegem o proprietário, muitos preferem correr o risco de ter casa destruída", afirma Emiliana Romero, fundadora da Casa Viva, empresa que se dedica a cuidar das casas de venezuelanos que deixaram o país por causa da crise.

 

Emiliana teve a ideia de criar o negócio quando voltou à Venezuela depois de vários anos vivendo no exterior. "Quando cheguei, meu apartamento estava em ruínas. E então me ocorreu que, assim como o meu, deveriam existir milhares de imóveis em situação parecida."

A demanda, ela diz, é alta – mas conseguir novos clientes é difícil. "Funciona no boca a boca, porque aqui ninguém vai dar as chaves de casa a quem não confia. Existe muita desconfiança hoje na Venezuela", explica.

A empresa cobra entre US$ 50 e US$ 100 por mês para cuidar de um imóvel. Um percentual desse dinheiro vai para a pessoa encarregada da limpeza duas vezes por mês. "Vou pela manhã abrir a casa e ver o que está faltando. Digo então à senhora que me ajuda com a limpeza quais os espaços que devemos priorizar e se há infiltração ou algum outro problema. Volto à tarde para fechar o imóvel e verificar se está tudo em ordem", ela conta.

Ela mesmo reconhece, entretanto, que US$ 50 é, para muitos venezuelanos, "muito dinheiro". "O venezuelano empobreceu muito, independentemente da classe social."

 

Ibovespa fecha na mínima em um mês pressionado por receios com economia global

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira, tocando mínima em cerca de um mês, liderada pelo tombo das ações da mineradora Vale, em sessão marcada por aversão a risco global diante de preocupações com a economia mundial.

As perdas na bolsa paulista ainda foram endossadas por um "tropeço" na votação da reforma da Previdência, com o governo derrotado em um destaque que derrubou novas regras mais rígidas sobre o abono salarial.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,76%, a 101.184,55 pontos, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro somava 15,5 bilhões de reais.

Brasil gera três vezes mais vagas informais que formais, mostram dados do IBGE

A taxa de desemprego diminuiu no trimestre encerrado em agosto, inclusive com a criação de vagas com carteira assinada. O problema é que a cada vaga no mercado formal, outras três são oferecidas sem as garantias trabalhistas.

Em um ano, foram gerados pouco mais de 1,4 milhão de postos sem carteira assinada ou CNPJ, número bem maior que as 403 mil vagas formais. O atual retrato do mercado de trabalho, portanto, ainda é de crescente informalidade.

Os dados comparam os números do trimestre encerrado em agosto deste ano com o mesmo período de 2018, referentes à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os critérios diferem dos adotados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Para o IBGE, o grupo de informais inclui os trabalhadores sem carteira assinada (inclusive trabalhadores domésticos), os autônomos sem CNPJ e os chamados sem remuneração, que auxiliam em trabalhos para a família.

No trimestre encerrado em agosto, o emprego sem carteira assinada e o trabalho por conta própria bateram recorde. São 11,8 milhões de trabalhadores sem carteira e outros 24,3 milhões atuando de forma autônoma. Em um ano, cerca de 1,1 milhão de pessoas começaram a trabalhar por conta própria. Desses, 69% não têm CNPJ.

 

"Alguns trabalhadores por conta própria até são formalizados, mas grande parte não é. Então eu acho que tem que se buscar a formalização do mercado de trabalho, mas, pra isso, a gente precisa de crescimento econômico e esse ano vamos ter menos de 1% de crescimento. Então não tem jeito, o mercado de trabalho vai sofrer", afirmou o professor do Instituto de Economia da UFRJ, João Saboia.
Informalidade no mercado de trabalho bate novo recorde no país, aponta Ibge

Informalidade no mercado de trabalho bate novo recorde no país, aponta Ibge

A retomada do emprego baseada na informalidade também tem impacto nos salários. Segundo o IBGE, o rendimento médio dos trabalhadores ficou em R$ 2.298 no trimestre encerrado em agosto, queda de 0,4% na comparação com o mesmo período de 2018.

"Normalmente, quem ganha menos é o empregado sem carteira, em seguida o autônomo e o nível mais alto é o empregado com carteira. Então, quer dizer, o fato de estar com a informalidade alta, crescendo até, isso contribui para reduzir a renda média", ponderou Saboia.

Os dados da Pnad Contínua, divulgada nesta sexta-feira, pelo IBGE, mostram que a taxa de desocupação caiu para 11,8% no trimestre encerrado em agosto, abaixo do índice no mesmo período do ano passado, quando estava em 12,1%. Um total de 12,6 milhões de pessoas ainda estavam na fila do desemprego, mas falta trabalho para muito mais gente.

De acordo com o instituto, 7,2 milhões de pessoas trabalham menos horas do que gostariam, por exemplo. É o que o IBGE chama de subocupação por insuficiência de horas: não são desempregados efetivamente, mas gente que, normalmente, vive de bicos periódicos para pagar as contas. Outras 4,7 milhões de pessoas simplesmente desistiram de procurar emprego. São os chamados desalentados, pois perderam a esperança de encontrar uma vaga.

Economia brasileira pode crescer acima de 2% em 2020, prevê ministro Paulo Guedes

Pesquisa global informa que Brasil tem maior percentual de otimistas entre 23 países
 

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira vai recuperar sua dinâmica de crescimento e poderá crescer até acima de 2% no próximo ano, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista exibida pelo Jornal da Record na noite de sexta-feira.

"Certamente ano que vem será bem melhor que este, mas ainda não estou falando de 3,5%, 4% (de crescimento), nada disso... Mas nós achamos que o Brasil já pode crescer acima de 2%, sim, pode ser até que cresça um pouco mais do que isso", disse Guedes na entrevista.

Pela mais recente pesquisa Focus do Banco Central, analistas de mercado projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) terá alta de 0,87% em 2019 e de 2,00% em 2020.

Guedes classificou como "inaceitável" o que ele chamou de "desemprego em massa" no Brasil e disse que, com o esperado fortalecimento da economia no ano que vem, a expectativa é que o "desemprego comece a descer mais rapidamente".

O declaração de Guedes veio a público no mesmo dia em que o IBGE divulgou que a taxa de desemprego no Brasil ficou estável no trimestre encerrado em agosto ante os três meses findos em julho, mas em queda na comparação com os três meses findos em maio, para 11,8%, atingindo 12,6 milhões de pessoas.

O ministro voltou a criticar o que ele chamou de altos encargos trabalhistas e disse que o governo vai atacar "frontalmente... a dificuldade de empreender no Brasil".

 

 

 

Na entrevista, o ministro falou que "a CPMF está descartada" --depois que o presidente Jair Bolsonaro assumiu compromisso de que o imposto "não existe"-- e que a equipe econômica está buscando alternativas para desonerar a folha de pagamento --o que seria feito inicialmente via imposto sobre transações financeiras.

Guedes disse também que o governo apresentará via comissão mista no Congresso sua proposta de reforma tributária --além das que já tramitam na Câmara e do Congresso de autorias fora do governo. "Nós já demos as mãos para ambos (Senado e Câmara)... A reforma tributária vai andar também", finalizou.

Criação de vagas de emprego deve continuar nos próximos meses, diz Bank of America

Bank of America Merrill Lynch avaliou positivamente a criação líquida de 121.387 vagas no mercado de trabalho do Brasil.

“A criação líquida foi a maior desde fevereiro no acumulado de 12 meses e o maior nível para agosto desde 2013”, apontam os analistas David Beker e Ana Madeira.

A instituição destaca a continuidade da melhora no mercado de trabalho pelo quinto avanço consecutivo no volume de contratações.

“Esperamos que a criação formal de vagas mantenha tendência de alta nos próximos meses”, afirma o Bank of America Merrill Lynch, pela melhora nos indicadores de atividade econômica.

Brasil tem maior percentual de otimistas entre 23 países (Ag. Brasil)

O Brasil tem o maior percentual de otimistas do mundo, segundo uma pesquisa encomendada pela Expo Dubai 2020 e divulgada essa semana. Segundo o levantamento, 76% dos brasileiros se consideram otimistas, um número consideravelmente superior em relação à média global, que ficou em 56%.

A Pesquisa Global de Otimismo, conduzida pela empresa internacional de pesquisa e dados de mercado YouGov, acompanhou as prioridades das pessoas para o futuro em questões relacionadas à sustentabilidade, crescimento econômico, tecnologia, viagens, entre outos assuntos.

Mais de 20 mil pessoas em 23 países foram entrevistadas, divididas por região geográfica, gênero, ocupação, estado civil e renda. Além do Brasil, o levantamento inclui Argentina, Austrália, Canadá, China, Egito, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Japão, Jordânia, Quênia, Arábia Saudita, Kwait, Nigéria, Omã, Cingapura, Rússia, África do Sul, Estados Unidos, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. 

Apesar da amplitude da diversidade dos países pesquisados, os resultados mostram que a maioria do mundo está fortemente alinhada quando se trata dos principais problemas que o futuro do planeta enfrenta.

Quando perguntados sobre meio-ambiente, 65% dos participantes se mostraram confiantes sobre a capacidade humana de combater as mudanças climáticas. Outros 69% disseram que gostariam de ver experiências de oceanos sem plásticos, enquanto 67% citaram transporte universal com energia limpa e 71% transporte auto-alimentado no futuro.

Ainda em nível global, os resultados destacam que nove em cada dez entrevistados acreditam que indivíduos e comunidades podem construir o futuro por meio de um maior compartilhamento de conhecimento, comunicação e colaboração.

Compartilhamento de conhecimento, aprendizagem e maior acesso à educação também se destacaram como temas dominantes em todas as regiões: Oriente Médio (55%), Europa Ocidental e Oriental (61%), Ásia (61%), América do Norte (63 %), América do Sul (68%) e África (72%).

No geral, a América do Sul (74%) é a região mais otimista, seguida pela África (64%), Oriente Médio (60%), Ásia (57%), Ásia (57%), América do Norte (50%) e Europa Ocidental e Oriental (50%).

Números do Brasil

A pesquisa revelou que dois terços dos brasileiros são otimistas com relação ao seu próprio futuro no que diz respeito às oportunidades, com 89% dos entrevistados afirmando que a chave para um futuro melhor está no compartilhamento de conhecimento e na comunicação entre indivíduos e comunidades. 

Educação aparece como uma importante ferramenta para o futuro dos brasileiros, com 68% dos entrevistados citando que coleta de conhecimento, aprendizado e acesso à educação são essenciais para desbravar oportunidades para os próximos 30 anos. O brasileiro também acredita que tolerância e inclusão (60%), colaboração para além das fronteiras e culturas (57%) e união para se trocar ideias (56%) são importantes para o futuro.

Shopping no centro de Brasília tem movimento intenso no último fim de semana antes do Natal
Valter Campanato/Agência Brasil

 Expectativa do consumidor sobe em setembro, diz CNI

Depois de duas quedas consecutivas, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) subiu para 47,3 pontos em setembro. Com o aumento de 0,3 ponto em relação a junho, é superior à média histórica, de 46,1 pontos. Os dados são da pesquisa trimestral divulgada hoje (27) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo dos 50 pontos mostram consumidores pouco confiantes.

De acordo com o levantamento, a maioria dos índices que compõem o índice evoluiu positivamente entre junho e setembro de 2019. Segundo a CNI, o destaque foi o indicador de endividamento, que caiu de 51 pontos para 49,6 pontos, mostrando estabilidade do endividamento dos consumidores, depois do aumento registrado em junho. O indicador de situação financeira também melhorou e passou de 47,7 pontos em junho para 48,9 pontos em setembro.

Inflação

A pesquisa mostra ainda que a inflação preocupa os brasileiros. O índice de expectativa de inflação subiu para 61,4 pontos neste mês. Esse foi o terceiro aumento consecutivo do índice. O índice de expectativas de desemprego ficou em 56,4 pontos, estável na comparação com junho, mostrando que a população continua apreensiva com a evolução do desemprego.

Além disso, o indicador de intenção de compras de maior valor, como móveis e eletrodomésticos, subiu de 51,7 pontos em junho para 52,2 pontos neste mês. Isso mostra que os brasileiros estão dispostos a aumentar o consumo nos próximos seis meses.

A CNI explicou que a pesquisa antecipa tendências de consumo. Consumidores mais confiantes têm mais propensão a fazer compras. Com o aumento do consumo, as empresas são estimuladas a elevar a produção, fazer investimentos e criar empregos, o que é decisivo para o crescimento da economia.

Regiões

De acordo com a pesquisa, a confiança dos consumidores só piorou na Região Sul, onde o índice caiu pela terceira vez consecutiva, recuando de 49,3 pontos em junho para 47,8 pontos neste mês. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o aumento foi de 47,7 pontos para 49,3 pontos. No Nordeste, ficou praticamente estável ao crescer 0,1 ponto, enquanto no Sudeste, aumentou 0,5 ponto.

A pesquisa, feita em parceria com o Ibope Inteligência, ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre os dias 19 e 22 deste mês.

A manicure Maria Divina Dias Martins recebe seu kitAntonio Cruz/Agência Brasil

Índice de Confiança de Serviços sobe 1,7 ponto em setembro

O Índice de Confiança de Serviços, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu 1,7 ponto de agosto para setembro. Com isso, o indicador chegou a 94 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos. É o maior nível desde fevereiro (96,5 pontos).

A confiança do empresário dos serviços aumentou em 11 das 13 principais atividades pesquisadas.

O Índice de Expectativas, que mede a confiança no futuro, avançou 2,9 pontos, para 98,2 pontos. Já o Índice de Situação Atual, que mede a confiança no momento presente, cresceu 0,5 ponto, passando a 89,9 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada do setor de serviços caiu 1,1 ponto percentual para 80,7 pontos, o menor nível desde agosto de 2018 (80,6 pontos).

Agricultura sobe de 1,1 para 1,8% com aumento da participação de soja e milho

A previsão para o crescimento da agropecuária passou de 1,1% para 1,8%. Segundo o BC, essa revisão é compatível com o resultado mais recente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aumentou a estimativa de safra para alguns produtos com elevada participação no setor da agricultura, como soja e milho.

A projeção para o desempenho da indústria apresentou ligeira redução de 0,2% para 0,1%, com recuo na estimativa para a indústria extrativa e elevação ou estabilidade nos demais setores.

“A redução na projeção para a indústria extrativa, de 1,5% para -1,6%, reflete diminuição no prognóstico da Petrobras para produção de petróleo em 2019 e a expectativa de que a recuperação da produção de minério de ferro, após o rompimento da barragem de mineração em Brumadinho, ocorra de forma mais gradual”, afirma o documento.

Em sentido oposto, acrescenta, após o resultado do segundo trimestre, as estimativas para a indústria de transformação e para a construção civil foram revisadas de -0,3% para -0,2% e de -1,0% para 0,1%, respectivamente.

A previsão de crescimento para produção e distribuição de eletricidade, gás e água foi mantida em 2,8%.

A estimativa de crescimento para o setor de serviços em 2019 foi mantida em 1%. “Há, contudo, mudança relevante na composição, com aumentos nas estimativas para comércio (reflexo da ligeira melhora na previsão para a indústria de transformação e dos efeitos das liberações extraordinárias de recursos), serviços de informação, atividades imobiliárias e aluguel e outros serviços; compensados por reduções nas estimativas para os setores de transporte, armazenagem e correio, intermediação financeira e serviços relacionados e administração, saúde e educação públicas”, explica o relatório.

Consumo e investimentos

Já a previsão para o crescimento do consumo das famílias foi revista de 1,4% para 1,6%, incorporando impacto da liberação extraordinária de recursos do FGTS e do PIS/Pasep.

A projeção para o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – investimentos - recuou de 2,9% para 2,6%. A estimativa para o consumo do governo passou de crescimento de 0,3% para queda 0,3%, repercutindo o resultado do segundo trimestre.

Comércio Exterior

A estimativa de exportações de bens e serviços passou de crescimento de 1,5%, no relatório divulgado em junho, para queda de 0,5% e para as importações, de expansão de 3,8% para 1,9%. “O recuo na projeção para as exportações reflete redução no prognóstico para as vendas externas de petróleo e o aprofundamento da crise na Argentina, importante destino para bens industrializados.”

A diminuição na estimativa para as importações decorre do resultado abaixo do esperado no segundo trimestre. Nesse cenário, diz o relatório, as contribuições da demanda interna e do setor externo para a evolução do PIB em 2019 são estimadas em 1,2 ponto percentual e queda de 0,3 ponto percentual, respectivamente.

Estimativas para 2020

A previsão para 2020 é que as atividades da agropecuária, da indústria e de serviços avancem 2,6%, 2,2% e 1,4%, respectivamente. O Banco Central destacou a expectativa de aumento da produção de petróleo e de continuidade da recuperação da produção de minério de ferro.

As taxas de crescimento esperadas para o consumo das famílias e para a Formação Bruta de Capital Fixo são de 2,2% e de 2,9%, respectivamente. “Em cenário de restrição fiscal, o consumo do governo deve registrar expansão modesta, de 0,5%”, acentua o estudo.

Exportações e importações de bens e serviços devem crescer 1,7% e 1,6%. O BC só espera por contribuição da demanda interna para o crescimento do PIB, estimada em 1,8 ponto percentual.

Fonte: Reuters/Agência Brasil
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